domingo, 27 de dezembro de 2015

Mulheres em Crise - Zípora


Cena do filme Os Dez Mandamentos


A mulher de Moisés aparece em ocasiões importantes na história do Êxodo. O encontro nas terras áridas de Midiã dá início ao enlace (Ex 2.16,22). Ela e suas irmãs cuidavam do rebanho do pai, davam comida e água. Numa dessas tarefas diárias chegam a um poço, mas foram expulsas de lá por alguns pastores. Moisés defende as moças e ele mesmo dá águas ao rebanho. Com essa atitude, querendo fazer justiça às moças, Moisés certamente impressionou Zípora, que devia ser a filha mais velha de Jetro, pois logo é dada em casamento segundo a tradição do povo. 

Ao dar a luz ao primeiro filho, a mulher percebe que o marido se sente um peregrino, um estranho nas terras de Midiã. Depois de receber de Deus a ordem para tirar Israel do Egito, Moisés reconhece sua natureza hebreia e sua ligação íntima com aqueles escravos que deixou lá. O pacto da circuncisão, a marca física da aliança de Deus com Abraão, Isaque e Jacó, parece ter sido o começo de uma crise entre Zípora e Moisés. 

Provavelmente, era um ritual estranho para ela e os dois estavam em desacordo. Tanto que ao perceber a fúria de Deus em relação ao atraso de Moisés em sua partida, é Zípora que, com uma pedra, pratica o ato da circuncisão do filho. Seu descontentamento é marcante na expressão: Marido sanguinário! (Ex 4.25-26). Uma crise familiar se estabelece. Primeiro porque o marido recebe de Deus uma missão de enfrentar Faraó, o principal de uma dinastia. A vida simples no deserto não era mais atraente para ele. Assim, a mulher se sentia obrigada a segui-lo e deixar o convívio com o pai e as irmãs. Tudo o que Zípora acreditava, tudo o que amava, ficaria para trás em função daquela súbita transformação de Moisés. 

Qualquer tipo de mudança sempre tem os seus prós e contra. A pessoa não pode tomar uma decisão radical em sua vida sem antes ter certeza dos benefícios que tal atitude acarreta. Zípora foi com o marido para o Egito e depois voltou para o convívio do pai. Somente quando Israel já estava no deserto é que Jetro trouxe a filha de volta para o marido (Ex 18.2). Os motivos dessas idas e vindas não estão registrados no livro sagrado, mas podemos imaginar que, ou Moisés quis preservar a vida da esposa e dos filhos, ou os dois viviam em desacordo com a situação que se estabeleceu no Egito. Mas o texto informa que havia uma relação harmoniosa entre Moisés e o sogro. Este até lhe deu um conselho importante que logo o genro colocou em prática (vs 21).

Zípora se limitou a criar os filhos e desaparece na história bíblica. O filho mais novo com o nome de Eliezer traz a memória os temores e desconfortos da estadia no Egito durante o processo de libertação conforme o dito de Moisés (Ex 18.4). Assim, podemos entender que a crise na vida dela não foi algo temporário. Mas, aprendemos com esta mulher as dificuldades de se romper tradições, de enfrentar o novo, o desconhecido. Zípora, cujo nome em hebraico lembra os pássaros, aprendeu a voar e com os hebreus no deserto compartilhou de suas atividades e a confiar no Deus de Israel.

Texto extraído do livro Mulheres em Crise de Marion Vaz




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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Os Dez Mandamentos e sua magia



A novela Os Dez Mandamentos, produzida pela rede Record de Televisão, finalmente chegou ao fim. Se é que podemos chamar aquele último capítulo de The End. Afinal depois de fazer tanto sucesso entre os telespectadores, os produtores resolveram dar continuidade a História do povo de Israel... Só que no próximo ano.

Até aí nada. No entanto, como pude comprovar assistindo alguns dos belos episódios, houve certa “ironia” do autor ao deixar escapar sua “preferência” e durante o enredo algumas adaptações foram feitas com base no nosso contexto social: Muito sentimentalismo da parte dos hebreus para com seus opressores, casamentos mistos, antipatia de uns versus comoção de outros, indicando até que havia arrependimento entre o povo hebreu em relação às perdas dos egípcios em virtude das pragas, destruição e mortes. No ponto alto da tragédia, hebreias levaram alimento para as patroas egípcias depois de uma das pragas. Muito típico do ponto de vista humano, mas completamente fora do padrão bíblico das dez pragas que foram programadas por Deus naquela época, para a destruição do Egito.

O personagem do próprio Moisés, líder indicado por Deus para tirar o povo de Israel do Egito, passava o dia lamentando a tragédia de seus, conforme mostrou a novela, meios-irmãos. Faça-me o favor... Só faltou pedir desculpas a Faraó por todo incômodo que Deus causou! 


Enquanto que algumas cenas foram fieis ao relato bíblico, a produção se dedicou em mostrar talento e riqueza de detalhes. E personagens que vão ficar para sempre na nossa memória. Aplausos ao Simut!

Assim, fugindo em parte do relato bíblico, as cenas se alternavam entre o acampamento hebreu e a vida no palácio. O “jeitinho brasileiro” esteve presente em várias cenas e isso ninguém pode negar e dramas que se alongaram tanto que dava até sono. Enfim, quem manda é quem paga as contas... Faltou um pouco de bom senso do autor, quando os primogênitos do Egito se refugiaram na terra de Gozén para evitarem o anjo da morte...  Então qual seria o significado das dez praga?

O que me incomodou mesmo foi a finalização da temporada. Como a novela se chamava Os Dez Mandamentos, todos nós esperávamos ansiosos por um desfecho mais original.  Quem sabe uma gravação no Monte Sinai, de Moisés recebendo as Tábuas da Lei, a visão da Terra Prometida, a renovação das promessas de Deus. Afinal, a novela passou o tempo todo mostrando o povo crendo em Deus, esperando um milagre, ansiosos pela liberdade... 



Mas Não. Seguindo o desenrolar da história bíblica, fizeram a encenação do Bezerro de ouro (Ex 32). Moisés descendo do monte encontrando o povo festejando, e as Tábuas dos Dez Mandamentos se quebrando em milhões de pedaços e praticamente virando pó diante dos olhos dos telespectadores.

Tudo bem que a história é verídica e foi relatada na Torah. Mas precisava terminar a novela assim? Sinceramente, eu teria feito melhor! Então vamos às críticas:

1 - Por causa da audiência, deixaram aquele ponto de interrogação no ar, como se as pessoas que seguiram cada capítulo da novela se congelassem e ficassem assim até que as próximas gravações fossem exibidas.

2 – As Tábuas da Lei se espatifando no chão daquele jeito transmitiram a ideia de que não há razão para se acreditar nos Mitzvot – nos Mandamentos de Deus. A razão da novela se chamar os Dez Mandamentos e todos aqueles capítulos convidando o povo a ter fé em Deus deveriam ser para manter a fidelidade nos escritos sagrados. Mas ao virar pó se perdeu por completo. Ao dar continuidade daqui a três meses só vai favorecer os patrocinadores, que no caso, marcaram forte presença com seus inúmeros anúncios nos intervalos dos capítulos. O que nos leva acreditar que marketing e comércio é o “fim para todas as coisas”.

3 – Sabemos que o povo de Israel, ao sair do Egito, não entrou logo na Terra Prometida - Eretz Israel – Houve sim um período de 40 anos no deserto, para reestruturar a nação, tanto no sentido espiritual quanto social. A trajetória no deserto serviu de alicerce para a restauração do povo perante o Eterno. Uma fase indispensável e planejada pelo próprio Deus que os livrou da vida de cativeiro no Egito. Não tem o que se criticar ou ponderar. Eu resumo aqueles 40 anos na seguinte frase: Deus precisava de um tempo a sós com o seu povo.

O que me irrita é ver que tal episódio passou a ser visto como castigo. E daí por diante, as experiências do povo e seu relacionamento com Deus, gerou uma série de pseudo tratados teológicos. Para completar, ao mostrar o episódio do bezerro de ouro e aquela súbita interrupção, caiu-se de novo no velho erro da troca de valores e da omissão do contexto bíblico sócio religioso que o povo de Israel estava vivenciando. Novamente observamos que a falta de informação pode prejudicar a opinião das pessoas em relação ao povo judeu, criando até um sentimento de aversão ao israelismo.

Teria sido mais prudente terminar a novela com a entrega dos Dez Mandamentos, reafirmando as promessas de Deus para Israel, mostrando que existe sim uma ligação espiritual, com base nos textos bíblicos do povo judaico com aquele território. Esquivando-se deste propósito para não se comprometer perante a opinião pública, já que existem controvérsias a respeito do assunto e sérias aversões contra Israel e favorecimento do povo palestino, desmereceu toda a produção da novela.

Mesmo que não tenha sido este o motivo para tal desfecho e sim privilegiar os rendimentos e manter a curiosidade dos telespectadores para a próxima produção, ainda assim, a magia dos Dez Mandamentos se quebrou com o estalar de uma varinha mágica naquela única palavra: Continua...



Marion Vaz




domingo, 8 de novembro de 2015

Soterrados pela Lama






Rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (Foto: Luis Eduardo Franco/TV Globo)








Parece difícil de acreditar, mas é verdade. Depois de um rompimentos de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, uma enxurrada de lama desceu e inundou várias casas do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. 

A cena é de desolação e desespero. As famílias que perderam tudo estão esperando ajuda da população. A palavra do diretor-presidente da empresa de mineração foi: "lamentamos profundamente e estamos muito consternados com o acontecido..."



Mas será que este desastre não poderia ter sido previsto? Observe as imagens abaixo.  O que eu não entendo é por que temos que contar com a sorte? Com o acaso? 











Visite o link e conheça a cidade de Mariana/MG



O Retrato do País




A divulgação de 332 vagas de emprego temporário levou cerca de 9 mil pessoas as ruas. A fila de desempregados era longa. Pessoas de todas as idades, com formação diferenciada se dispuseram a ficar em pé numa espera pelo cadastro oferecido pela Degase no Rio de Janeiro. Esta foi a primeira fase: A inscrição.

Mas o processo de seleção tem outras etapas, como a análise de currículo, experiência e entrevistas para os diversos cargos. Os salários oferecidos variam de 2 a 3 mil reais para a contratação temporária de 2 anos.  

Segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desempregados atingiu cerca de 8.8 milhões de pessoas. A reportagem feita por um canal de televisão, mostrou a maneira como os brasileiros tem enfrentado o problema. Um dos candidatos desabafou para o repórter afirmando que a longa fila que se estendeu pelas ruas mostra o retrato do país. 


Em minha opinião, devido a modernidade da nossa tecnologia (risos) tal inscrição poderia simplesmente ter sido feito pela Internet evitando tanto desgaste físico e emocional dos candidatos. E essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. Acredito que o termo "fila" se tornou parte do nosso lema de progresso. 

Até parece que as empresas gostam de ver, de perto, a "cara" dos brasileiros... O rosto cansado e estressado de uma pessoa que, depois de tantas horas de espera, mal consegue pronunciar o próprio nome. 

Mas quero parabenizar àqueles, que de certa forma, enfrentaram tal fila com otimismo e perseverança acreditando num futuro melhor para suas famílias.



domingo, 1 de novembro de 2015

Quem vem andando sobre as águas do mar?


    
Kineret  - Mar da Galileia   

      Esta é uma das passagens bíblicas mais comentadas. O poder de Deus e sua autoridade sobre as forças da Natureza, principalmente em relação a nossa limitação humana, aparecem até mesmo nos filmes de Hollywood e produtores famosos como Steven Spielberg. Enfim, mas lá na Galileia (Mt 14.22-33), quando os discípulos lutavam para controlar a embarcação, de repente viram algo andando sobre as águas. Alguém gritou dizendo que era um fantasma, porque provavelmente nunca tinham visto algo parecido.         

      Na quarta vigília da noite, que comentaristas e teólogos afirmam ser entre três horas da madrugada e o amanhecer, os discípulos lutavam contra a força do vento. O Mestre, olhando de longe decidiu ir ao encontro deles e ouvindo os gritos de medo confortou-os afirmando que era Ele mesmo que andava sobre as águas. Pedro queria ter sua própria experiência e pediu permissão para ir até ele. Uma lição espiritual tremenda nessa parte do versículo – Pedro deixa um lugar aparentemente seguro para seguir até Jesus andando sobre as águas do mar!           

      Mas nós... Que estamos tão obcecados pela ideia de segurança, controle, estabilidade, que a nossa geração não se dispõe a sair da “zona de conforto” nem mesmo para estar mais perto de Deus, parece algo ilógico!. Existe mesmo essa diferença em relação às  gerações anteriores que saiam pelo mundo pregando a Palavra, às vezes sem qualquer tipo de remuneração. Hoje, para pregar em algum congresso, festividade, a pessoa exige transporte, estadia em hotel, retorno financeiro e a venda de material elaborado. Não que isso seja de todo errado, mas olhando tanto para o texto bíblico quanto para o passado, podemos afirmar que essa nova maneira de exercer a fé está cada vez mais “fácil”.

      Mas voltando ao texto, Pedro toma uma decisão arriscada. Andar sobre as águas não era para qualquer um. E ele logo percebeu isso ao sentir o vento forte no rosto, então teve medo e começou a afundar. Mas observe que ao pedir permissão, Jesus responde: Vem (vs 29). Não houve da parte do Mestre qualquer empecilho ao pedido de Pedro. O texto nos oferece outra lição espiritual: Deus não limita nossas atitudes quando se trata de maior relacionamento com Ele. Os demais discípulos que estavam no barco  poderiam achar que Pedro se precipitou, que sua atitude foi inconsequente. Mas ele queria estar mais perto de Jesus naquele momento de turbulência.

       No mundo de hoje, todos querem ter experiências profundas com Deus, maior comunhão, fortalecer a fé...  Mas quantos de nós tem se arriscado como Pedro fez?  Queremos que o Senhor venha ao nosso encontro, clamamos por respostas, por intervenção divina, parece que estamos no barco junto com os demais discípulos esperando que Jesus se aproxime de nós.


Passeio de barco no Mar da Galileia

          Com esse comentário não estou dizendo que você deva se desfazer de algum bem material, dar ofertas acima da sua capacidade financeira ou fazer “promessas de tolo” para se aproximar mais de Deus. Muita gente se deixa iludir por pregações, depoimentos de pessoas e outros tipos de manipulação e acaba ofertando mais do que pode. Não. O texto também não quer induzir o leitor a se aventurar a andar (literalmente) no mar.

      Esta aproximação de Deus pode ser através da oração e da leitura da Palavra. Maior comunhão e relacionamento profundo com o Senhor é algo que tem que ser trabalhado nos corações, no dia a dia, com fé e disposição de servir a Deus.




Yigal Allon Museum - Galil





sábado, 19 de setembro de 2015

Jardim do Túmulo




O Ano Novo Judaico de 5776 começou. Acreditamos num período de reflexão onde o nosso D-us inicia o julgamento de cada ser humano. Como preparativo para o Rosh HaShana é fundamental pedir perdão a todos que, por alguma razão, tenhamos tratado injustamente durante o ano que termina. Desta maneira, vamos começar o ano praticamente do zero, sem qualquer pendência em relação ao próximo. É indispensável também perdoar a qualquer um que tenha nos magoado em algum momento.  Assim, acontece em Israel e em toda comunidade judaica ao redor do mundo. Acreditamos neste renovo espiritual. 

Mas é em Eretz Israel que encontramos outra cultura religiosa bastante relevante no que diz respeito a renovação humana. 




A partir da crença na ressurreição de Jesus e que tal acontecimento se traduz na ressurreição espiritual do homem, milhares de peregrinos atravessam o Continente e chegam a Terra Santa para encontrar no Jardim do Túmulo um lugar de reflexão. 




Jardim do Túmulo no período do inverno- Imagens da Google



Período da Primavera - Imagens da Google


Eu estive no Jardim do Túmulo em 2022


Situado fora da Cidade Murada de Jerusalém, próximo ao Monte Gólgota, esse lugar impressiona o visitante por sua história. Por toda a terra de Israel encontramos evidências que revelam a vida e a caminhada de Jesus, seus talmidim e porque não dizer as "marcas" da sua existência. Mas é em Jerusalém - uma cidade espiritualmente importante para judeus e cristãos que você pode se sentir parte da História ao caminhar por suas ruas, arredores e locais sagrados.

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Monte Gólgota - A nítida imagem de uma caveira na frente desta rocha, impressionou o oficial britânico Charles George Gordon (1882) que sugeriu ser este o local da crucificação descrito nos textos bíblicos e por conseguinte, ali perto, encontrariam o Sepulcro de Jesus.


Gólgota

Mesmo que haja divergências sobre a legitimidade deste lugar do sepultamento de Jesus, tanto o Jardim do Túmulo quanto a Igreja do Santo Sepulcro são dois locais cuidadosamente preservados e visitados por milhares de cristãos e demais turistas.


Igreja do Santo Sepulcro

A inscrição na porta do túmulo de Jesus: "Ele não está mais aqui, Ele ressuscitou" já é suficiente para alegrar os corações e trazer a memória passagens bíblicas que relatam o episódio. E não seria diferente mesmo, neste local o visitante se sente estimulado a um encontro com D-us. Não que haja qualquer "poder" enigmático nas pedras, flores, bancos, placas e outros tipos de decoração dali. Não. Mas é pela fé e pelo conhecimento que se tem da Palavra de D-us, que cada pessoa precisa de um encontro real com o Senhor.

Infelizmente, muitos chegam ao exagero  de achar que oferendas, óleo ungido, água santificada e outros aparatos religiosos que julgam precisar orar no local para depois distribuir entre os fieis podem promover a fé ou uma determinada denominação cristã. O exagero religioso de alguns, principalmente de visitantes brasileiros, acaba prejudicando a verdadeira visão por trás da porta do Túmulo Vazio e assim foram necessárias tais providências:

Independente desse tipo de problema, o Jardim do Túmulo ganhou destaque nas Agencias de Turismo e Sites de Viagens e multidões chegam ali para orar, relembrar a história bíblica e ver com seus próprios olhos, este lugar que deixa a todos com um desejo de renovação espiritual. Acredito ser algo pessoal e intransferível.

A Associação Garden Tomb vem promovendo o agendamento da visitação e um programa de voluntariado no intuito de auxiliar os turistas. Este trabalho é feito por pessoas sérias, que informam e respeitam a fé de milhares de cristãos e assim promovem reuniões, ministração e orações nos arredores do Túmulo Vazio de Jesus. 


Marion Vaz

Ps:  Atualizações 22/03/24

domingo, 6 de setembro de 2015

De quem é a primeira fatia do bolo?

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Um dos assuntos mais discutidos da Bíblia é sem dúvida, a questão do dízimo. E se menciona todo tipo de argumento, prós e contra, cumprimento da Lei, dádiva, dever e obrigação, questão de fé. Todo mundo tem uma opinião baseada ou não na Palavra de D-us. 

Esta semana ouvi uma definição muito interessante a respeito do assunto: "Dízimo é igual a bolo de aniversário!" - Pensei: Por que? A resposta que obtive: Quando alguém faz aniversário, na hora de partir o bolo, a primeira fatia do bolo é sempre para aquele que julgamos importante em nossa vida. É como um reconhecimento pelo trabalho, tempo, dedicação que foi oferecido na vida ou em algum momento. A primeira fatia do bolo é sempre para alguém especial.

Dízimo é bíblico. Sem comentários. A pessoa oferece a D-us 10% do total bruto daquilo que se recebe mensalmente ou o valor de algum bem imóvel que eventualmente se recebeu. Ponto final. Se alguém não quer dar, é assunto pessoal, diferenciado. Mas aquele que dá de coração, confiando no poder de D-us e com sabedoria, será abençoado pelo Senhor. 

Mas achei muito interessante esta definição.


Marion Vaz 




domingo, 16 de agosto de 2015

Mulheres em Crise - A Sunamita

Uma história bem interessante. Suném era uma aldeia no território da Tribo de Issacar. Lá vivia uma mulher com seu marido. Ao observar que o profeta Eliseu passava por ali de tempo em tempo, resolveu preparar para ele um lugar onde pudesse repousar. Conversou com o marido sobre o assunto e com o seu consentimento fizeram um aposento para o profeta.

Em gratidão aquele ato, Eliseu profetizou que ela teria um filho. A princípio, a mulher não acreditou na história (2 Rs 4.16), mas ao conceber a criança, sua vida encheu-se de alegria. O menino já era crescido trabalhava com o pai no cultivo e sega da terra. Num determinado dia começou a passar mal e foi levado até a mãe, que com carinho cuidou dele até o meio dia, quando veio a falecer (vs 20).

Qualquer pessoa numa situação dessas já começaria a gritar e se escabelar. A sunamita não. A atitude calma e firme passou a ser tema de debates e congressos de União Feminina nas igrejas. A expressão “Vai tudo bem” marcante em todo tempo (o que podia ser apenas um desabado), passa a ser um referencial. Uma atitude legítima num momento de crise... Fala sério! O filho dela morreu! No colo dela! Não tem como ficar alheia, calma, despreocupada!

Certamente a sunamita vivenciou um dos piores momentos da vida de qualquer pessoa. Talvez ela não quisesse mesmo fazer alarde sobre o assunto para o marido ou para o servo de Eliseu, mas diante do profeta ela desabafou: “Pedi eu algum filho? Eu não disse claramente não me engane?”. A maneira como se expressou já revela o estado do seu coração, a tristeza que a consumia e até mesmo um desabafo.

O próprio profeta declarou que a alma da mulher estava triste de amargura (vs 27). É claro que não estava nada bem! Mas poderia o marido ou Geazi fazer alguma coisa em favor dela? Iria adiantar contar a história toda para eles? Olha o tempo que ela iria perder! Ela foi direto à pessoa que fez as promessas.

Esta é a lição espiritual para nossas vidas: Não adianta ficar contando tudo para todo mundo, se fazendo de coitadinha, chorando pelos cantos, sentindo pena de si mesmo. Não. Quando muita gente se envolve na tua vida ou num determinado problema acaba te prejudicando. Sem contar que existem pessoas que tornam tudo mais difícil, dão sugestões aleatoriamente e uma proporção maior do que a situação aparenta. É nesta hora que a frase “vai tudo bem” se torna útil. E a sunamita foi à pessoa certa. E Eliseu ainda quis passar o problema para Geazi (vs 29). Mas a mulher insistiu que o profeta fosse com ela até a casa dela. O que leva a refletir sobre quem estamos deixando entrar na nossa vida, na nossa casa, quem tem dado palpite nos assuntos domésticos, na vida conjugal, na criação dos filhos? Você já parou para pensar que muitos dos problemas que enfrentamos diariamente poderiam ser evitados?

A verdade é que num momento de crise, seja familiar, no trabalho, vida pessoal ou espiritual, a pessoa se sente tão desorientada que aceita a opinião de qualquer um. Sem falar que tem gente que adora se fazer de vítima, frustrada, tomando o tempo dos outros com seus dilemas! Mas foi a presença do profeta Eliseu e o modo como lidou com a situação que trouxe o menino de volta a vida.

A história da sunamita e sua expressão “vai tudo bem” nos adverte que quanto maior o problema, maior deve ser a nossa comunhão e nossa dependência somente de Deus.



Texto extraído do Livro Mulheres em Crise de Marion Vaz



Amor de adolescência

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O Amor... Vem chegando de mansinho, na ponta dos pés.
Vem chegando tão suave como a brisa
Com o tempo faz chorar, faz sofrer, quase morrer.
Ah! O amor... Que quando chega maltrata sem piedade...
E quando parte... Só deixa... Saudades!


Este poema foi dedicado a uma pessoa que amei muito na adolescência. Era muito jovem e aquele sentimento era tão forte que mal cabia no peito. Um amor platônico, confesso. Sem qualquer possibilidade de dar certo. Mas todo ano, dia 16 de agosto, lembro do seu aniversário, lembro do rapaz de braços fortes, que tocava guitarra de solo e andava de skate no meio da rua... E que só olhou para mim uma única vez.

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Júnior, você se foi, mas todo ano me lembro de você.

In Memorian




sexta-feira, 24 de julho de 2015

Perfil Mercadológico







"Diferentes entendimentos resultam em posturas e ações distintas" - A ideia de usar tal frase neste texto me pareceu bem interessante. O contexto da frase revela atitudes diferentes em relação a algo ou alguém.

Mas ao pensar em que tipo de perfil apresentamos nas diferentes atividades do dia a dia, estamos sempre repassando este perfil mercadológico. Estamos obcecados em vender uma imagem de pessoa idônea, centrada, equilibrada emocional e profissionalmente. Não importa o grau de falência que vivenciamos. Esta interpretação do pensamento do outro é o que nos leva a ações distintas.

E isso é uma realidade. A simples resposta a uma pergunta casual de "Tudo bem?" já indica a pretensão de esconder a nossa vulnerabilidade. E quem precisa saber o que vai no coração? Quem precisa de terapia vai ao analista! Vai dar um passeio no Shopping, fazer compras... E não incomodar o vizinho, o filho, os pais... E o que eles vão pensar se descobrirem que você é humano e que tem sentimentos?

Num mundo informatizado e consumista o que vale mesmo é aquele perfil mercadológico de pessoas qualificadas, vendendo sorrisos e bem estar. Ninguém quer comprar mercadoria fora do prazo de validade, com defeito, sem garantia ou qualquer outra deficiência. É direito do consumidor adquirir um bom produto! Infelizmente a gente acaba repassando isso para a vida pessoal, para os relacionamentos. E exigindo dos outros que funcionem como os bancos com atendimento 24 horas, cheios de benefícios, prêmios, cartão de crédito. 


Então agimos como atores, contracenando com os outros, decorando falas, sorrindo o tempo todo, sem qualquer tipo de expressão pessoal. Porque isso pode incomodar, afastar amigos ou parentes. Na verdade, ninguém nem nota se você está com dor de cabeça e o falatório persiste por minutos, horas a fio. E como "vaquinhas de presépios" balançamos a cabeça atenciosamente. Atitudes metódicas e distintas de quem só quer agradar, vender uma imagem, um estilo. 


A reviravolta acontece quando a pessoa, do nada, explode! Vê-se de imediato a reação das pessoas e aquela insatisfação no ar. Como? Quando? Por que? Ninguém percebeu que você aturou o máximo que pode e de repente expôs seus sentimentos. E é, meu caro amigo, nesta hora que você percebe que não importa o quanto se anule a versão light é que conta.



Marion Vaz

domingo, 19 de julho de 2015

Os valores morais que impomos aos filhos






Uma das frases mais importantes que li na Bíblia diz: "Pelos frutos vos conhecereis..." - Fazia parte da vida cotidiana da comunidade judaica plantar e colher e uma árvore era conhecida pelos frutos que produzia. Assim somos nós, meros mortais, são as nossas atitudes, nossos sentimentos, nossos valores morais que representam, no dia a dia, aquilo que realmente somos.




E você entende que cada pessoa tem um temperamento próprio, um estilo de vida, um dom natural que utiliza para beneficiar a sociedade. O lado negativo da história impõe que  se seus valores morais são obscuros eles serão repassados para aqueles que estão a sua volta, quer sejam amigos e quer sejam parentes. quando mais ao se tratar dos filhos. Tem pessoas que não entendem que os valores morais que impomos aos nossos filhos traduzem o tipo de sociedade que teremos no futuro.






Não adianta reclamar depois se a pessoa passou o tempo todo dando maus exemplos aos filhos. Eles são reflexos dos pais e não tem como negar isso. E os maus exemplos estão em toda parte e tem muita gente achando que filhos pequenos não entendem o que está acontecendo e só vão se preocupar quando eles crescerem, se tornarem donos do próprio nariz. Fato. Por isso que estamos vivenciando esse momento crítico, por causa da falta de responsabilidade no passado recente que gerou um grupo de adolescentes e jovens descompromissado com a sociedade.

Esta questão de valores morais é tão importante que não diz respeito somente a religiosidade como muita gente pensa. E sim com a conduta da pessoa na frente dos filhos. ao apoio em cada fase do desenvolvimento, aquela opinião que nem sempre agrada - Só quem tem adolescente em casa entende o que eu estou dizendo - Aquele diálogo informal, a cumplicidade em momentos felizes ou triste, e muitas outras atitudes que contribuem para um desenvolvimento psicológico, emocional e até profissional dos filhos.

Este perfil de pais que exige o que eles mesmo não praticam, não dá certo. A falta de respeito aos familiares dentro de casa, com professores ou qualquer pessoa idosa, ou que estejam exercendo um serviço, são valores que se perderam ao longo dos anos. E como diz o ditado popular: "Educação começa em casa" - E existe também a questão dos direitos da criança ou adolescente que muitas vezes são reprimidos dentro da própria residência. É tanta ordem a ser cumprida que não sobra tempo para nada! Sobra sim para as depreciações.

Enfim, se o conteúdo é para adultos não deve ser repassados aos menores. Mesmo porque eles vão crescer!  Parafraseando um versículo da Bíblia: "Cada um planta o que quer colher"!

Falando em frutos e colheita, nós pais devemos repensar a maneira como estamos lidamos com os nossos filhos, a convivência no dia a dia, o diálogo, almoço em família (sem ser naquelas datas especiais de natal e ano novo), passeios, ou até mesmo ver um filme, um jogo na televisão. Houve uma fase que tive de ver filmes do Harry Potter com a minha filha, elogiar os efeitos especiais, a história... Uma fase só dela e eu tinha que respeitar!


Enfim, a nossa responsabilidade em relação a socialização dos filhos na época presente é muito grande e tem gente deixando a desejar. Cada filho tem características, idade mental, sonhos e realizações diferentes do outro. E na verdade eles têm os mesmos dilemas, as mesmas expectativas. Não podemos estar tão cansados, tão  estressados, para deixar ofuscar a nossa visão da realidade deles.


Marion Vaz



Os valores morais que impomos aos filhos






Uma das frases mais importantes que li na Bíblia diz: "Pelos frutos vos conhecereis..." - Fazia parte da vida cotidiana da comunidade judaica plantar e colher e uma árvore era conhecida pelos frutos que produzia. Assim somos nós, meros mortais, são as nossas atitudes, nossos sentimentos, nossos valores morais que representam, no dia a dia, aquilo que realmente somos.




E você entende que cada pessoa tem um temperamento próprio, um estilo de vida, um dom natural que utiliza para beneficiar a sociedade. O lado negativo da história impõe que  se seus valores morais são obscuros eles serão repassados para aqueles que estão a sua volta, quer sejam amigos e quer sejam parentes. quando mais ao se tratar dos filhos. Tem pessoas que não entendem que os valores morais que impomos aos nossos filhos traduzem o tipo de sociedade que teremos no futuro.






Não adianta reclamar depois se a pessoa passou o tempo todo dando maus exemplos aos filhos. Eles são reflexos dos pais e não tem como negar isso. E os maus exemplos estão em toda parte e tem muita gente achando que filhos pequenos não entendem o que está acontecendo e só vão se preocupar quando eles crescerem, se tornarem donos do próprio nariz. Fato. Por isso que estamos vivenciando esse momento crítico, por causa da falta de responsabilidade no passado recente que gerou um grupo de adolescentes e jovens descompromissado com a sociedade.

Esta questão de valores morais é tão importante que não diz respeito somente a religiosidade como muita gente pensa. E sim com a conduta da pessoa na frente dos filhos. ao apoio em cada fase do desenvolvimento, aquela opinião que nem sempre agrada - Só quem tem adolescente em casa entende o que eu estou dizendo - Aquele diálogo informal, a cumplicidade em momentos felizes ou triste, e muitas outras atitudes que contribuem para um desenvolvimento psicológico, emocional e até profissional dos filhos.

Este perfil de pais que exige o que eles mesmo não praticam, não dá certo. A falta de respeito aos familiares dentro de casa, com professores ou qualquer pessoa idosa, ou que estejam exercendo um serviço, são valores que se perderam ao longo dos anos. E como diz o ditado popular: "Educação começa em casa" - E existe também a questão dos direitos da criança ou adolescente que muitas vezes são reprimidos dentro da própria residência. É tanta ordem a ser cumprida que não sobra tempo para nada! Sobra sim para as depreciações.

Enfim, se o conteúdo é para adultos não deve ser repassados aos menores. Mesmo porque eles vão crescer!  Parafraseando um versículo da Bíblia: "Cada um planta o que quer colher"!

Falando em frutos e colheita, nós pais devemos repensar a maneira como estamos lidamos com os nossos filhos, a convivência no dia a dia, o diálogo, almoço em família (sem ser naquelas datas especiais de natal e ano novo), passeios, ou até mesmo ver um filme, um jogo na televisão. Houve uma fase que tive de ver filmes do Harry Potter com a minha filha, elogiar os efeitos especiais, a história... Uma fase só dela e eu tinha que respeitar!


Enfim, a nossa responsabilidade em relação a socialização dos filhos na época presente é muito grande e tem gente deixando a desejar. Cada filho tem características, idade mental, sonhos e realizações diferentes do outro. E na verdade eles têm os mesmos dilemas, as mesmas expectativas. Não podemos estar tão cansados, tão  estressados, para deixar ofuscar a nossa visão da realidade deles.


Marion Vaz