quinta-feira, 24 de maio de 2018

Obedecer sem questionar


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Está aí algo que é impossível para a maioria das pessoas. Parece mesmo que obedecer cegamente a alguém, uma ideologia ou até mesmo a Deus, tira um pouco da nossa autonomia. E você pode estar se perguntando: Por que eu faria isso? Por que eu obedeceria uma ordem sem sequer perguntar porque, quando, pra que ou tem certeza?

Tudo bem. Nem sempre é fácil. Não estamos numa ditadura ou num quartel. Você tem o direito de questionar e saber se realmente o que estão te pedindo vai trazer algum benefício pra sua vida ou para a sua família.

Mas a atitude de um dos personagens da Bíblia me surpreendeu muito. Se você ler a história de Abraão vai entender que, tem momentos na vida, que precisamos acreditar cegamente em alguém. Não porque não temos confiança em nós mesmo, mas às vezes, por não ter opção. E com Abraão foi assim: Ou ele aceitava os termos de Deus ou continuava com sua vida na cidade de Ur dos Caldeus.

A promessa era de tirar o fôlego: Farei de ti uma grande nação! A exigência: Sai da tua terra, do meio da tua parentela, da casa de teu pai. O desafio: Vai para uma terra que eu te mostrarei!

Abraão não teve muito tempo para pensar, para avaliar a situação ou para planejar uma estratégia de viagem. Seria um longo ou um curto percurso? Que lugar era aquele para onde deveria seguir? O que encontraria lá? E se não desse certo poderia voltar, afinal Ur era uma cidade próspera? Será que ele pensou: E por que eu? O que tem em mim para ser o escolhido? E para ser uma grande nação? Eu nem tenho filhos! E finalmente a grande indagação: Quem era esse Deus que fazia promessas?

A maioria das pessoas não iria cogitar na possibilidade de tirar os pés da Mesopotâmia até se certificar de tudo! Mas Abraão não. Ele simplesmente obedeceu! E aprontou a sua comitiva e saiu para fora dos portões da grande cidade confiando nas promessas de Deus para sua descendência. Em Hebreus lemos que “Abraão sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança, e saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11.8). Tem momentos na vida que temos que fazer escolhas que vão alterar o nosso destino!

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Observe o termo “saiu” – está relacionado à mudanças. Abraão saiu de sua cidade natal, de perto de familiares e amigos, do meio dos deuses que se adoravam ali, deixando para trás uma vida socialmente estruturada. A cada passo para frente o passado ficava para trás. Na verdade, era uma mudança radical para a qual nem todos nós estamos preparados, porque é bem mais cômodo ficar na famosa zona de conforto.

Então, duas coisas me chamam a atenção neste texto bíblico (Gn 12). Primeiro: Abraão foi escolhido pelo próprio Deus para dar início a uma nova geração de vencedores: O povo hebreu que ao longo dos anos se transformou no povo judeu. Israel hoje não é apenas um sonho, mas uma grande nação. Completamos 70 anos de Independência (1948-2018). A terra percorrida pelo patriarca (Gn 13.17) como se estivesse tomando posse de cada lugar faz parte do território israelense. O filho da promessa, Isaque, seguiu os caminhos de Abraão e repassou a herança para Jacó, cujos filhos se transformaram nas 12 tribos de Israel. As decisões de Abraão em obedecer a Deus e seguir em direção a Terra Prometida alterou a sua própria vida e a de toda a sua descendência.

A segunda coisa que chama a atenção é que ao obedecer, Abraão sentenciou a sua vida a uma vida de bênção. Apesar dele ter que enfrentar adversários, de ser provado, ter desavenças familiares e todo tipo de problema que podemos ler no texto sagrado, a promessa de Deus é que ele seria uma benção!

Observe que Deus diz que Abraão seria abençoado, teria o nome engrandecido e a nação que nasceria dele seria grande e que as bênçãos que viriam através desta nação se estenderiam a todas as famílias da terra (Gn 12.2-3). Porque todas essas promessas estão relacionadas a nação de Israel! Inclusive a parte em que Deus sentencia: “Amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem”. Talvez, esses líderes mundiais que julgam e se propõem a denegrir a imagem de Israel nunca deram importância ao texto sagrado ou não se incomodam de afrontar Deus!

As experiências de Abraão nos servem de exemplo, principalmente àquelas relacionadas a comunhão com Deus. Havia cumplicidade entre o Eterno e o homem mortal (Gn 18.17). E o envolvimento era tão grande que o próprio Deus o chamou de amigo (Is 41.8). Ao optar pelo sacrifício de Isaque, no monte Moriá – que hoje é o Monte do Templo em Jerusalém – o patriarca depositou tanta fé em Deus que logo o Senhor o recompensou desviando o sacrifício para um cordeirinho.

Será que estamos dispostos a “sair” e aceitar as recomendações de Deus? Será que desejamos para nós esse tipo de relacionamento? Queremos as bênçãos, mas não queremos sacrifícios ou o Deus das bênçãos? A nossa terra prometida é algo inatingível ou está logo ali, virando a página e seguindo por um caminho melhor?

Pense nisto.


Marion Vaz




quinta-feira, 26 de abril de 2018

Teoria da Inclusão

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Esse foi o tema do último filme que eu vi: À Caminho da Fé. Depois de passar anos anunciando a Mensagem do Evangelho da maneira como foi instruído desde a mocidade, um certo pastor mudou sua postura.

Uma profunda angústia o cercou ao saber que um tio muito querido que estava encarcerado numa prisão estadual havia se suicidado. O pastor ficou muito entristecido ao pensar que ele tinha morrido sem salvação, mesmo depois de devotar tempo e esforço na tentativa de uma conversão a Cristo. 

Por várias noites sofreu com a ideia de que outros parentes haviam se perdido enquanto ele usava o seu tempo para pregar o Evangelho em outras cidades e para outras famílias. Por fim, ao ver uma reportagem sobre a África em que várias pessoas estavam morrendo e que inclusive, muitas delas ainda eram crianças, começou a indagar com Deus o porque de tudo aquilo. 

Passados alguns dias sob aquele estresse e achando que tinha ouvido a voz Deus, mudou a sua estratégia de pregação. Em sua nova percepção do Evangelho e baseando-se na interpretação de versículos isolados, começou a anunciar que o sacrifício de Jesus era suficiente para salvação de todos, e não somente aqueles que haviam aceitado a Cristo como mediador.

Essa mudança de percepção alterou profundamente a mente e o coração do pastor que ele passou a agir e pregar com todo ardor sobre aquilo que havia descoberto nas Escrituras. Os seguidores daquela igreja rejeitaram tal ensinamento e muitos o deixaram. Interessante do filme é que apesar das controvérsias e situações adversas, esse pastor continuou anunciando sua teoria da inclusão e como o filme é baseado em fatos reais, mais pessoas estão aderindo e se tornando membros da nova igreja. 

Duas coisas me chamaram a atenção no desenrolar da história. A primeira é que não há verdades absolutas que não possam ser questionadas ou alteradas pelo homem, que, mediante um estudo mais aprofundado, ou como resultado de um sentimento de frustração, possam sofrer modificações em sua interpretação.

A segunda diz respeito ao texto bíblico em si. Qualquer pessoa que estude Teologia é instruído a não interpretar versículos ou referências sem analisar o texto e o contexto. Até mesmo na hora de preparar uma mensagem que será direcionada a outras pessoas precisamos ter esse cuidado de não usar um texto da Bíblia isoladamente, mesmo que tenhamos a nítida impressão que estamos sob a direção de Deus ou do Espírito Dele.

Em termos de religiosidade os textos do Novo Testamento afirmam que Cristo morreu por todos. Que o sacrifício na cruz deu acesso imediato a Deus para todas as pessoas. Paulo afirma que "... não há distinção entre judeus e gregos..." (Rm 10.12) e Pedro fala a todos que "Para Deus não há acepção de pessoas..." (At 10.34). E com certeza muitos outros versículos esclarecem que o amor de Deus é imenso e tão intenso que Ele deu o seu próprio filho para morrer pelos pecadores de forma a alcançar e abraçar qualquer pessoa (Jo 3.16). Nenhuma das afirmações acima podem ser descartadas. Com certeza o que o NT informa é que o sacrifício de Jesus é único e eficaz no qual qualquer pessoa pode ser redimida.

Existem outros textos que afirmam sobre a Santidade e a Justiça de Deus e que para ter acesso a Vida Eterna o homem precisa passar por um processo de santificação, uma mudança de vida, um retorno a espiritualidade e tal forma que seja visível a sociedade que nos cerca.

Outro ponto a considerar é que todas as Religiões concordam quanto ao fato de que as pessoas precisam ser boas, honestas, tratar o próximo como amor e respeito. Em sua maioria, afirmam que as nossas obras mostram o que somos e pensamos e que, através delas, seremos julgados. Ponto. Na religião Judaica encontramos um Conceito e uma série de Mandamentos dados pelo próprio Deus para guiar o seu povo. No Cristianismo repetem-se os dois principais mandamentos: "Amar a Deus sob todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo" (Mc 12.30-31).

Desde as primeiras páginas da Bíblia até a última podemos ler histórias de pessoas que se diferenciavam de outras por causa da sua maneira correta de viver. O que nos leva a outra verdade: Deus não pode ser injusto. Se alguém vive no pecado e tem consciência disso não pode alcançar o céu sem mudar a sua trajetória. Deus é amor. E se Ele não pode levar uma pessoa que nunca ouviu acerca do plano de salvação para a perdição eterna, como elas seriam julgadas? Sinceramente, isso é com Deus. Ele é o Ser Soberano!

Pelo que eu entendi, a Teoria da Inclusão afirma o contrário. Que todos, sem exceção podem entrar no Reino dos Céus, por causa do amor incondicional de Deus. E independente da vida que tem aqui na terra, no fim, nenhuma pessoa será lançada no inferno  baseando-se na reconciliação universal (Em Cristo). Então, as pessoas transgridem as Leis de Deus sem qualquer tipo de remorso e ainda querem ser aceitas e justificadas para entrar no céu junto com aquelas que procuram viver em santidade diante de Deus? Sinceramente... Prefiro não arriscar.

Com certeza, estamos vivendo hoje um contexto bem diferente daquele que encontramos nas páginas do Antigo Testamento. Os estudiosos afirmam que este é o Tempo da Graça. E do jeito que a nossa Sociedade caminha podemos afirmar que, por muito menos, naquela época, a terra tragaria a todos, sem qualquer distinção, só por causa da força do pecado que controla suas vidas.

Outra verdade bíblica afirma que Deus conhece as intenções do coração do homem (Jr 17.10). Então é melhor agir como Davi: "Sonda-me ó Deus... e vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno" (Salmo 139.23-24).


Marion Vaz


Ps. O texto acima refere-se apenas a questão religiosa e não faz qualquer comparação com a inclusão social que, deve sim, incluir todas as pessoas sem distinção de idade, cor de pele, religiosidade, opção sexual, situação econômica ou estado civil.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Morte e Ressurreição

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Duas comemorações importantes foram feitas neste último final de semana: O Pessach - Páscoa Judaica e a memorável páscoa cristã. Como todo mundo sempre escreve sobre isso e aqui mesmo no blog tem muitas postagem sobre o assunto deixei passar em branco.

O Pessach tem sua característica em que todo judeu relembra a saída do povo de Israel do Egito e sua jornada em direção a Terra Prometida. A morte dos primogênitos no Egito como efeito da 10ª praga dá origem a ordem de evacuação. A liberdade conquistada depois de 400 anos de escravidão fala de vida, de mudança, de um novo período na história do povo hebreu. Agora o deserto seria o lar dos filhos de Yaakov por 40 anos. Um período de aprendizado, de estruturar a nação tanto no sentido social quanto espiritual. O povo de Israel teria que aprender a confiar e depender do seu Deus.

A Páscoa cristã também fala de morte, de sacrifício, de sangue. Jesus, o enviado de Deus para salvar a humanidade seria traído, preso e sentenciado a morte em uma cruz. Soldados romanos sem compaixão tratam o filho de Maria de forma grosseira e desumana. Jesus é espancado e colocado numa cruz e depois de algumas horas a vida se esvai. Seu corpo segue para o sepulcro e ali permanece por três dias. 

A ressurreição acontece no domingo antes do raiar do sol. Mulheres chegam ao sepulcro e verificam que a pedra havia sido removida. Maria Madalena tem o seu primeiro contato com o Mestre ressurreto. Alguns discípulos chegam correndo e olham o local. No desenrolar da história Jesus aparece aos discípulos em ocasiões distintas. O plano de salvação havia sido concluído. Uma nova etapa, uma nova era, uma recomeço? Cada um encara do jeito que quiser. O texto informa que João creu. E isso já basta.

Nas duas explicações acima sobre comemoração da Páscoa podemos salientar as palavras: Morte e Vida, Medo e Confiança, Fim de um ciclo e começo de outro. 

Independente disso muitos de nós continuamos presos em nossos dilemas, defeitos, objetivos. Parece que nunca damos uma chance para a liberdade ou para a ressurreição porque não queremos abrir mão de alguma coisa, não queremos passar pelo sofrimento, ou pela morte de algum projeto, de algum sentimento. Não queremos romper com o passado e ficamos no mesmo ciclo por anos a fio. Não nos damos a chance de encarar o novo, o desconhecido porque não sabemos o que vamos encontrar lá na frente ou porque achamos que o que temos é o suficiente.

Parei pra pensar sobre isso, porque aconteceu algo que me deixou muito decepcionada esta semana. Quando pensei que estava dando um passo a frente, só estava andando em círculos e talvez retrocedendo. E já é o terceiro dia... 


Marion Vaz

sexta-feira, 16 de março de 2018

Divorciada


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Todo mundo se casa com aquele sorriso no rosto e a esperança de uma vida à dois repleta de amor e felicidade. Não importa o problema que se tenha que enfrentar, o juramento para uma união eterna é: "Na saúde e na doença, na tristeza e na alegria...". 

De vez em quando a gente se lembra daquele momento mágico em que se apaixonou por alguém e pensou ser ele o príncipe encantado daquele conto de fadas que guardamos na memória. Tudo bem. Acontece com todo mundo. Com o passar do tempo o príncipe vira sapo e donzela um espantalho. A carruagem vira apenas uma abóbora e os fieis escoteiros em ratinhos correndo para todos os lados para bem longe.

O divórcio na verdade, não é nada demais. Apenas um rompimento de contrato e daquele padrão de vida que, dependendo do tempo que se ficou casada, a gente estava acostumada a ter. E pra muita gente é um alívio se livrar do marido ou da esposa, principalmente se já tiver alguém na "pista". 

Embora que hoje em dia seja algo normal e aceitável se divorciar, dependendo é claro de alguns aspectos, na época que eu me divorciei foi um verdadeiro e cruel episódio. A separação aconteceu muito rápido e eu me neguei a acreditar que o meu sonho dourado chegou ao fim. Ficou aquele clima de perda, de culpa, decepção, arrependimento, frustração que aos poucos foi se transformando em raiva. Ainda mais que a outra parte se adaptou rapidamente a nova vida e nova esposa. 

Se você foi criado num padrão religioso sabe que divórcio não faz parte do "plano de salvação". Na verdade fiquei meio perdida mesmo, sem rumo, sem contato com alguns amigos e parentes que literalmente viraram a cara pra mim. Parecia que ser divorciada era como ter uma doença contagiosa. E não pense que estou exagerando não. Manter a vida religiosa então virou um martírio porque as pessoas não aceitavam que se podia ser boa mãe, honesta, religiosa, eficiente no trabalho se a gente fosse uma mulher divorciada.

Mas lá estava eu "divorciada de papel passado" e com três filhas pra criar, desempregada e sem pensão alimentícia afrontando o "Sistema"  todos os domingos.

Mas foi um episódio em particular que me fez cair na real. Depois do período da frustração, passei pelo da raiva e transformei a vida do meu Ex num inferno. Aí me conformei que ele realmente tinha se apaixonado e merecia ser feliz. Parei de brigar pela pensão alimentícia e de pedir pra ele se mais atencioso com as filhas. Afinal, era muito patético ter que exigir de um pai que ele fosse amoroso com as filhas já que ele tinha outra família.

O certo mesmo é o Ex arcar com parte das despesas e ajustar a sua vida para dar mais atenção aos filhos. A nova esposa devia ser mais coerente e mais receptiva nesse tipo de situação. Mas na maioria das vezes, o casal se separa e quem constituiu uma nova família se esquece da anterior.

Quando me dei conta de que tinha que seguir em frente conheci uma pessoa que pareceu bastante cordial. Nos encontramos duas vezes e num dado momento ele me revelou que não queria compromisso com uma mulher divorciada e com três filhas. Pensei: Essa pessoa sou eu! Depois do primeiro choque, fiquei olhando a criatura e pensando: Que cretino! Após todas as explicações sem lógica dele, respondi com toda a educação: Eu sou uma mulher divorciada e com três filhas. Não me telefone mais, não me procure e não me tenha por sua amiga! Fim do relacionamento. Depois de dois meses ele me ligou e pediu desculpas pelo que havia dito. Respondi: Tudo bem. Mas não vamos ser amigos. 

Claro que não estava tudo bem! Enquanto o meu Ex se estabelecia em sua nova família e parecia estar muito feliz, eu assumi todas as responsabilidades de uma casa, que não se resumem apenas em contas à pagar, tinha que alimentar três crianças. assistir ao crescimento, saber lidar com as emoções, frustrações ou realizações de cada uma, conviver com as diferenças de temperamento e adicionando a tudo isso ter equilíbrio emocional mesmo me sentindo só e desamparada. Porque a solidão não era um momento ou outro, mas passou a fazer parte da minha vida, do meu dia a dia.

E aquela frase: Divorciada e com três filhas ficou gravada na minha mente. Essa era a minha condição, não apenas um estado civil. As pessoas me olhavam e não viam uma mulher, uma amiga, uma pessoa. Elas viam a minha situação financeira e as dificuldades que eu teria pela frente. Foi uma fase muito ruim. Confesso. Mas o tempo passou, minhas filhas cresceram, se formaram na faculdade, uma casou e me deu uma netinha linda. As outras duas estão trabalhando e estudando e eu, mesmo com esse status estou aqui, de pé, confiando no amanhã.

Quanto ao relacionamento do meu ex com as meninas melhorou bastante nos últimos anos e acredito piamente que foi graças a intervenção divina. Parece que agora ele quer recuperar o tempo perdido. Isso é bom. E sinceramente, é bom sim pra ele e para as meninas que se sentem amada pelo pai. Agora ele percebe que faz sentido tudo o que eu dizia que iria acontecer quando se aproximasse das filhas, a troca de valores, a cumplicidade, o carinho e os momentos em família. Porque afinal de contas ele se divorciou de mim, não das filhas.

De tudo isso me resta entender que a gente não pode mudar o passado então melhor seguir em frente. Só falta descobrir como...

Marion Vaz

quinta-feira, 8 de março de 2018

Caixinha dos Sentimentos

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Alguém me disse: Abre a caixinha do seu coração e me diga o que está pensando. Quando ouvi esta expressão fiquei pensando na dificuldade que eu tenho de expor o que sinto. Não é tão simples assim. Respondi. Mas a pessoa ficou falando do quanto eu era importante e como ele queria ser meu amigo e aquele blá blá blá sem fim.

De um modo geral as pessoas passaram a ser mais seletiva e os relacionamentos ficaram mais impessoais. Todo mundo tem amigos e muitas vezes saem juntos para se divertir, conversar, beber, ir ao cinema. Mas na maioria das vezes é tudo muito convencional. Podem até discutir um assunto e cada um dá a sua opinião, mas abrir a caixinha dos sentimentos é pedir demais.

Não sei se por causa do tempo, da vida, dos inúmeros bullying que a gente sofre desde há muito anos, prefiro ouvir do que falar. Mesmo quanto alguém pede minha opinião faço de forma reservada e se por acaso esbarro naquela pessoa que "corta" o assunto ou começa a falar sem parar... Já era. Ela nunca vai saber o que eu penso de verdade. É por isso que eu prefiro escrever. Quem quiser me conhecer que leia os meus textos! Simples assim.

Talvez seja um jeito de me proteger ou de não me decepcionar tanto. Sei lá. É difícil ter tanta coisa para dizer e se manter neutra. Confesso. Mas o que adianta se expor se alguém tem sempre "aquela opinião formada sobre tudo" como diz a letra da música. E depois de uma ladainha sem fim não adianta dá uma pausa, olhar pra você e perguntar: Você concorda? Parece piada, mas eu conheço gente assim. Então eu dou aquele sorrisinho de "cara de paisagem" e penso: Amiga - Já perdi o fio da meada há muitos blá blá blás atrás...

Enfim... A caixinha dos nossos sentimentos não pode ser exposta pra qualquer um como se fosse algo corriqueiro. A gente tem que escolher à dedo aquela pessoa com quem queremos manter um relacionamento, uma amizade, uma cumplicidade. Alguém que não vai te ouvir pra depois te jogar pedras. Alguém que vai te respeitar mesmo descobrindo que você é frágil, e que precisa de conselhos de vez em quando. Porque na maioria das vezes tudo o que os amigos, familiares ou parceiros querem é que você sirva de apoio, de muleta, que seja forte para suportar toda a carga de problemas que eles querem te impor.

Conselho de amiga: Preserve todos os relacionamentos saudáveis que tiver, mantenha distância de pessoas oprimidas, vingativas e com sentimentos autodestrutivos - limite-se ao bom dia e boa noite. Dê uma chance para as novas amizades até descobrir em quem confiar. Só destranque sua caixinha de sentimentos para alguém muito especial, que vai estar ao teu lado em qualquer situação, mas tenha sempre uma palavra amiga para quem precisar. Faça elogios se te permitirem.

Mas abra espaço na sua agenda para você mesmo, ir as compras sozinha e escolher o que quiser, ir ao cinema, passear, ler um livro, viajar e conhecer lugares e pessoas diferentes e vai descobrir que é muito bom sair da "zona de conforto".


Marion Vaz




segunda-feira, 5 de março de 2018

Revoltz - Parte 2


Meu problema com a Empresa que fornece energia elétrica no RJ não é mais segredo pra ninguém. No dia 24 de fevereiro eu fiz aniversário. Parabéns pra mim. E foi também neste mesmo dia há cerca de um ano atrás que chegou a primeira conta de luz com um valor absurdamente alto e completamente fora do meu padrão de consumo de energia. 

De lá pra cá muitas dores de cabeça e você pode conferir toda a Saga neste link. Então, esse mês recebi outra cobrança com valor acima de 3 mil reais para uma residência de quarto, sala, cozinha e banheiro. Para marcar esse "aniversário" resolvi postar fotos de alguns postes de luz que ficam nos arredores da minha rua. A confusão na fiação pede uma vistoria urgente. Mas quem liga não é mesmo?



É no meio desse mafuá que fica o fio de luz que vai para o meu medidor. Viram porque minha conta vem tão alta? 

Então vamos dar uma olhada nos demais postes de luz:








É. Acho que está na hora de alguém fazer o dever de casa.


Marion Vaz



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Loterias da Vida

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Quem nunca sonhou em ganhar na loteria? Mesmo aquelas pessoas que nunca fizeram um joguinho sequer já suspiraram ao pensar no assunto. Pois é... Mas para desespero de todos aqueles que jogam regularmente e tentam a sorte a qualquer custo, o resultado é sempre o mesmo: Não foi desta vez!

Quando entro numa casa lotérica para pagar uma conta fico olhando a quantidade de pessoas fazendo sua "fezinha/' no balcão. E tem gente que investe mesmo! Olho para o atendente com aquele sorriso no rosto praticamente forçando a gente a tentar também.

Às vezes, me pego sonhando com aquele montante de dinheiro anunciado em cada prêmio. Seria bom mesmo nunca mais me preocupar com o futuro, poder comprar uma boa casa, carro, viajar, ajudar minha família, investir num bom negócio e ajudar outras pessoas, dar a volta ao mundo... E a lista de desejos não tem fim. Quanto mais a gente pensa, mais dinheiro sai voando das nossas mãos.

Uma vez ou outra escuto as pessoas conversando sobre o que fariam se ganhassem tanto dinheiro. alguns comentários são coerentes, outros nem tanto. E acho que por isso alguns nunca vão realizar esse sonho. Eu fico olhando pra aquele monte de zeros e penso no investimento que toda essa gente faz em busca de um único objetivo para que no final das contas, ou o prêmio se acumula ou alguém lá longe, numa cidade que a gente nunca ouviu falar acaba acertando e levando a melhor. Minha imaginação já chegou ao ponto de achar de algumas cidades do Brasil se tornaram apenas o "Ponto de Arrecadação" porque é muito dinheiro envolvido. 

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Mas pra minha surpresa, dois sortudos da vez e da cidade do Rio de Janeiro fazem parte dos ganhadores da Mega da Virada com mais 15 apostadores no restante do país. Cada um recebeu mais de 18.000.000,00 de reais. É muito zero, não é? E com esse dinheirão dá pra comprar a felicidade de qualquer um. Então se algum de vocês ler essa matéria, me coloca na sua lista benevolente, por favor.

Interessante da matéria que saiu no jornal é que há dez anos atrás essa mesma loteria do Rio teve um ganhador. Então foram dez anos de investimento até que outro "sortudo" aparecesse. Tem coisas que acontecem só em filmes: Um homem fez uma aposta numa casa lotérica e depois entrou num bar para tomar um café, mas percebeu que não tinha o dinheiro da gorjeta. Então disse para a atendente que se acertasse na loteria dividiria o prêmio com ela. E não deu outra. E como ele era todo certinho teve muito trabalho em convencer a esposa que tinha que cumprir sua palavra.

Mas as loterias da vida não se resumem apenas em ganhar dinheiro, muita gente acerta "os números" quando encontra uma pessoa pra dividir os melhores momentos da sua existência, quando abraça os filhos depois de um dia cansativo no trabalho, quando olha a mesa do jantar repleta de parentes e amigos num dia especial ou vai dormir abraçadinho com a mulher da sua vida. Quando acorda de manhã e sente a brisa entrando pela janela do quarto. Para alguns estar vivo já é o suficiente. Ganhar nessa loteria pode parecer apenas um sonho distante, mas se você não se jogar nunca vai saber.


Marion Vaz