sábado, 14 de janeiro de 2017

O que você espera da vida?

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O ano mal começou e já tem gente resmungando da vida, dos problemas, das dificuldades. Mas o que você e eu esperamos realizar nesta vida vai determinar o grau de dificuldade que encontraremos pela frente. É isso mesmo! Esperava que eu dissesse que tudo ia ser fácil? Negativo! Se você deseja realizar coisas grandes com certeza vai sofrer um impacto maior. Não se constrói nada sem sacrifícios.

Mas tenha em mente que existe um diferencial entre o que vale mesmo a pena lutar nesta vida e aquilo que pode ser deixado de lado, esquecido num cantinho qualquer.

Nesta caminhada rumo a “fronteira final” do bem estar existem regras a seguir. Pequenas atitudes que resumem o nosso dia a dia ou que, de uma forma motivadora vai definir o que somos ou o que pensamos, como agimos em relação às outras pessoas e a nós mesmos. Então se deseja ter uma identidade você precisa entender que antes de mudar os outros, precisa mudar a si mesmo. Precisa estabelecer propósitos, aproveitar as oportunidades para que o seu sucesso tenha um significado.

O primeiro pensamento que vem a minha mente é que “sem Deus nada podemos fazer” – É uma frase bíblica. Mas acredite que Deus não tem a obrigação de fazer tudo. Com certeza Ele pode agir em muitas situações, mudar o destino de alguém, curar uma enfermidade. Mas em determinadas circunstâncias é a atitude do próprio homem/mulher que vai definir o futuro. E isto é bíblico também. Inúmeros personagens fizeram de suas vidas um exemplo de força, poder e realizações benéficas.

Então voltemos à pergunta: O que você espera da vida? O que você pensa quando acorda de manhã? Já semeou o suficiente para poder colher? Quais os seus valores morais? Qual a importância do próximo em sua vida? Os interesses deles estão no topo da sua lista ou eles estão em segundo plano? Aonde quer chegar à Empresa em que trabalha?  Você está disposto a começar do nada para chegar a algum lugar? Você quer pagar o preço? O que você tem que pode ser utilizado para benefício próprio?

É meu caro leitor... Nem tudo é tão prático como deveria ser. E tem coisas que o dinheiro não compra! Então está na hora de fazer aquela lista de prioridades para o ano de 2017. E o melhor conselho é este: Comece acreditando em você mesmo! Acredite que pode ser a diferença, que pode mudar o rumo das coisas, que pode alcançar seus objetivos. 

Mas seja realista! Não crie expectativas que não se possa realizar. Seja otimista! Defina projetos a longo e curto prazo. Seja criativo! Não espere que os outros encontrem a solução. Seja ativo! Sem desprezar a capacidade e empenho de seus colaboradores. Seja agradecido! Primeiramente a Deus que te deu o dom da vida, segundo para com a sua família, esposa e filhos, cúmplices em todas as horas, terceiro seja grato àqueles que fazem parte da sua equipe. Porque ninguém vence sozinho!

Marion Vaz


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2017 Ano do Desafio

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Todo ser humano precisa de desafios! De vencer os obstáculos, de "pular pontes" para se destacar na arena da vida. Mais um ano que se finda levando com ele as frustrações dos planos e sonhos que não se concretizaram. E daí? A vida é assim mesmo! Aprendi isso há muito tempo atrás. Tem coisas que não conseguimos. Existem sonhos que não saem do papel por anos a fio! E isso não quer dizer que eles não possam se realizar algum dia.

Somos a matriz de um mundo que ainda estar por vir. E 2017 está chegando para nos desafiar a isso! A vencer, a buscar, encontrar, repartir um pouco de ar puro nesse emaranhado programado por esse nosso governo na terra varonil. Tem gente que se recusa a crer no futuro e fica chorando as mágoas, não quer buscar solução, nem colorir a vida! Paciência! Eu sigo em frente. Desafiando a mim mesma e os personagens nos romances que escrevo. 

O que vai acontecer em 2017 já está escrito nas estrelas! Não dá pra fugir disso! Mas dá para reinventar histórias, mudar o presente a cada manhã, sentir a brisa do mar, o toque suave das águas e o vento acariciando o rosto. Seja otimista! Seja próspero! Boas Festas e Feliz Ano Novo! E a gente se encontra aqui no ano que vem.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Gentileza gera Gentileza



A frase pintada nas muretas do viaduto na Avenida Brasil, próximo a zona portuária da cidade do Rio de Janeiro parecia não fazer sentido algum. Em letras grandes e desenhadas em contorno verde e amarelo, o autor se fazia notar mais pelas vestimentas e barbas brancas e pregações do que pelo que queria transmitir. Mas aos poucos, o carioca foi se acostumando com aquele intruso pincelando a cidade e a mensagem ficou gravada na mente e no coração de alguns.

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A frase em si é verdadeira. A própria Bíblia nos ensina para tratarmos as pessoas da mesma maneira que desejamos ser correspondidos. Assim, entendemos que ódio gera ódio, gentileza gera um bom retorno em qualquer área da vida.

Ok. Confesso que tem gente que trata os outros com tanta ignorância que é melhor se afastar da pessoa do que tentar mudar sua rotina. Mas às vezes, uma pequena atitude nossa pode trazer alguém a realidade ou abrir um raio de sol no seu dia a dia. Seja um bom dia, uma saudação, um obrigado, por favor, chamar alguém de amigo, demonstrar interesse pelo problema alheio, compartilhar de um drama, responder com educação. Por que na verdade as pessoas só precisam de bons exemplos para seguir e se tornarem melhores do que são.

Quando trabalhei na CPAD por anos, minha rotina se alternava em responder correspondências e atender telefones. E numa bela manhã, um senhor que morava em outro Estado nos ligou sobre alguns periódicos que não havia recebido. Naquela época estávamos em transição para a era digital e sinceramente... Aquele modelo novo de computação nem se compara com o que usamos hoje. Houve uma mudança na rotina de trabalho e também o atendimento.

O interessante da história é que ele estava tão bravo que ficou gritando comigo no telefone e antes das oito horas da manhã. Prometi que o problema era momentâneo e a situação iria se normalizar em breve. De certa forma ele tinha todas as razões do mundo para se sentir daquele jeito já que o pagamento estava em dia. Então prometi que iria mandar todos os números de revistas que ele não tinha. Mas ele não ouviu uma palavra do que eu havia dito.

O ser humano que havia em mim estava calmo, já que o dia estava apenas começando. E não sei por que razão eu deixei escapar uma risada. Tapei o fone. Mas ele ouviu. Então pensei: Agora ele desliga o telefone na minha cara e liga pra o gerente do departamento... Pedi desculpas, tentei contornar a situação naqueles dez segundos em que o homem ficou mudo. E agora?

- Senhor... Tudo bem? Desculpe o riso, foi sem querer e... Ele respondeu:
- Minha linda! Que risada mais gostosa! Pensei: Aí meu D-us! Mas o homem começou a se desculpar pela maneira que havia me tratado e que aquele riso meu tinha praticamente desintegrado toda a raiva que ele estava sentindo. Respirei profundamente e pedi desculpas de novo e ele mudou o tom de voz e retomamos a conversa sobre os periódicos. Mais quinze minutos ao telefone e éramos “amigos de infância”. Prometi enviar a mercadoria naquele dia mesmo e depois tratei disso pessoalmente para que o tal homem não ficasse no prejuízo. Tudo acabou bem por causa de um sorriso.

É claro que eu não aconselho ninguém que trabalha com Telemarketing a rir do cliente ou trata-lo como se fosse um amigo. Qualquer deslize, por menor que seja, pode lhe custar o emprego. No meu caso foi algo momentâneo, a regra geral de qualquer empresa é tratar o cliente com respeito, chamar de senhor ou senhora, estabelecendo uma distância e sem envolvimentos pessoais.

O certo é que com o passar dos anos, evoluímos! (risos) Até certo grau, é claro! A tecnologia que aproxima as pessoas também afasta. O que nos dá margem para continuar no anonimato de sentimentos resumindo nossa atuação no dia a dia dos outros com apenas uma curtida de link. No máximo uma carinha de alegre ou triste, indeciso ou espantado. E assim nos relacionamos uns com outros via digital.

Mas o que deu origem ao nosso artigo de hoje foi um cumprimento que ouvi entre um passageiro e um motorista de ônibus que não se conheciam:

- ô parceiro! Pode fazer a gentileza de abrir a porta aqui pra mim, por favor?
- Falô chefia! Vai com D-us!
- Obrigado amigo. Um ótimo dia pra você também.

Interessante que tal cumprimento é comum seja no ônibus, entre os ambulantes, no bar da esquina. Existe esse retorno “afetivo” no relacionamento entre pessoas, talvez até para manter a clientela. Nos centros comerciais não é difícil alguém ouvir: Moça bonita não paga! Qual a promoção de hoje amigo? E aí parceiro?  Bom dia, o que vai levar hoje patroa? É cortesia da casa senhora! E assim vai... O nosso dia fica repleto de elogios e contato visual. Por que você vai concordar que não tem nada pior do que ser atendido por alguém de mal humor.


José Datrino, o profeta Gentileza nasceu em 1917 e faleceu em 1996. Cerca de 20 anos atrás!  Você pode ler mais sobre ele aqui. Sua mensagem é bem mais do que meras pichações em muretas. Apesar do seu temperamento (há controvérsias) os 56 painéis pintados por essa figura carioca (paulistana) se tornaram história no Rio e de uma forma ou de outra, parece que alcançaram suas metas no decorrer dos anos. O homem de barba branca queria que sua ideologia mudasse o mundo, desafiando a natureza humana. Se acaso vai conseguir ou não, depende de cada um de nós, mas com certeza ele tentou...


Marion Vaz


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Jerusalém – Uma cidade que atrai multidões


Vista Panorâmica de Jerusalém

        O que tem de especial em Jerusalém para atrair a atenção do mundo inteiro sobre ela? Se você observar a História ao longo dos anos também estará enigmaticamente propenso a amar e desejar esta cidade. É na Bíblia que encontramos uma célebre definição: “o lugar que Deus escolher para fazer morar o nome para sempre” (Dt 16.2). Assim, Jerusalém foi nomeada para ser a morada de Deus, com a construção do Templo tornou-se o centro religioso do país e a Lei ordenava que todo judeu que pudesse empreender uma viagem dessas, fosse para Jerusalém nas três festas anuais: Pessach - páscoa, Shavuot - Festa das Primícias e Sucot - Festa das Cabanas (vs 16).

        Em qualquer panfleto de Turismo você pode ler que Jerusalém é a cidade mais importante para judeus, cristãos e muçulmanos. Esse tipo de comentário virou um cartão de visita! Mas qual será realmente o significado, o legado espiritual de Jerusalém para estes três povos? Para a comunidade judaica ao redor do mundo a cidade não serve apenas como um lugar de mera concentração de pessoas, mas sim um lugar de desafio espiritual, onde o relacionamento com Deus implica em obediência e temor, orações e comprometimento com as tradições. Davi escreveu: “O zelo da tua casa me consome” (Sl 69.9). Jesus entrando no pátio dos gentios afugentou os animais e contrariou os cambistas citando o profeta Isaías: “A minha casa será chamada casa de oração” (Is 56.7 - Mt 21.13).




Monte do Templo e Cidade Murada

        Enquanto Israel aprimorava os seus caminhos diante de Deus atravessando o deserto em direção a Terra da Promessa, Jerusalém já estava nos planos do Eterno como um lugar de adoração e onde seriam feitos sacrifícios para perdão dos pecados (Dt 12.11). Encontramos no texto sagrado determinadas coisas que só poderiam ser feitas na cidade de Jerusalém (Dt 14.23).  O salmista insiste em dizer que ali estão os tronos do juízo, os tronos da casa de Davi (Sl 122.5). De início ele afirma que Jerusalém está edificada como uma cidade bem sólida (vs 3). Então podemos afirmar que os alicerces de Jerusalém estão sobre duas colunas: Solidez e Justiça!

        Havia um propósito para estas visitas periódicas a Jerusalém: Proporcionar a renovação espiritual e manter um comprometimento íntimo da pessoa com a própria cidade. Observe que no texto do Novo Testamento (Atos 2.5) a cidade estava repleta de judeus religiosos de todos os lugares. Havia também um laço afetivo com a cidade. Jesus chorou olhando para ela do alto do monte ao pensar no aconteceria ao longo dos anos. Eu me sinto particularmente obrigada a acreditar que o Mestre dos mestres amava Jerusalém. Ali, ele se entregou como sacrifício puro e santo em favor da humanidade. Cristãos de todos os lugares visitam o Jardim do Túmulo e encontram um local para reflexão e encorajamento espiritual.



Jerusalém - Moderna e em pleno desenvolvimento

        Mesmo com a destruição do Templo no ano 70 da Era Comum em que os sacrifícios de animais foram proibidos, a cidade não ficou abandonada pelos judeus. Ainda que muitos deles tenham sido obrigados a migrar para o norte do país e que períodos de orações e estudos da Torah se intensificaram visando a necessidade de manter as tradições, nota-se a presença judaica em Jerusalém. Não tem como negar fatos históricos!

        Nos dias de hoje este agrupamento de pessoas de todas as nações do mundo para orar em Jerusalém no Muro Ocidental, por exemplo, proporciona mais força religiosa e moral, não só entre os judeus, mas para todos aqueles que chegam ao local com coração quebrantado. Há algo de especial na cidade, nos arredores, nos locais sagrados e por onde quer que você caminhe em Jerusalém ou no território israelense vai atribuir a Deus um louvor de gratidão por estar ali.

        O conflito relacionado aos direitos do povo árabe por uma parte da cidade está em todos os jornais, a luta continua com discursos inflamados e sérios agravantes. A decisão da ONU em admitir que os judeus não tenham “laços” com Jerusalém, particularmente o Monte do Templo, visando favorecer o Comitê árabe, foi no mínimo irresponsável! Como mencionou Netanyahu, Primeiro Ministro de Israel: “Eles nunca leram a Bíblia!” Alegar que os fatos narrados na Bíblia são irrelevantes já é algo inaceitável, mas apagar o povo judaico da História me parece mais uma armadilha que viola e desrespeita os direitos da Comunidade Judaica!



Kotel - Muro Ocidental - Muro das lamentações

      Jerusalém é indivisível! Ela é um patrimônio, um legado espiritual para o povo judaico desde as primeiras gerações. É a capital de Israel, o centro religioso e político do país. Benjamim Netanyahu afirmou que Israel não pode abrir mão de Jerusalém e que a paz entre os dois povos (árabes e israelenses) tem que acontecer sem envolver a cidade. Este é o status de Jerusalém que permanece até os dias de hoje como local único e sagrado para muitos religiosos e particularmente para os judeus.



Marion Vaz


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

Lidando com a decepção

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O ser humano tem aquele dom de acreditar nas pessoas. Por mais que pareça improvável, a gente sempre pensa no lado bom da vida, das situações, das atitudes de um amigo de trabalho. Apostamos no amor, na amizade, nas boas intenções, para sobreviver neste mundo caótico em que por mais que você se esforce para vencer os obstáculos sempre vai tropeçar numa mentira, num mal entendido, numa artimanha criada pelo seu concorrente. 

Para vender mais e conquistar um número superior de clientes no Mercado, as empresas oferecem vantagens, ideias e até sonhos. Um grupo de especialistas em marketing fabricam comerciais tão bons que convence você a comprar algo que nem precisa. E muitas vezes a gente fica decepcionado por não poder usufruir das vantagens como foram apresentadas.

Nos relacionamentos não é diferente! Você conhece alguém que te oferece amor eterno, pouco tempo depois se decepciona. No início tudo são flores, o amor é lindo, parece que vocês nasceram um para o outro. O tempo passa e na realidade o gatinho vira um leão, ou até um monstro, os sentimentos mudam, a raiva aflora e a princesa vira uma gata borralheira com cheiro de fritura. Se o casal tiver problemas financeiros então, a situação pode sair fora de controle. Porque um não vai querer assumir as dívidas do outro.

Em resumo: Você se decepciona quando cria algum tipo de expectativa irreal em relação a alguém, algum evento, trabalho ou função específica que poderia ser uma boa fonte de renda. Não estou afirmando que a pessoa deva duvidar o tempo todo de todo mundo. E também não precisa sofrer por antecedência. Como diz a Bíblia: "Basta a cada dia o seu mal" ou seja, viva um problema de cada vez.

Mas as decepções acontecem e com mais frequência do que desejamos. Pode ser entre os membros de uma família, no rol de amigos, no ambiente de trabalho, na mesa do bar, no dia a dia entre os vizinhos, Em algum momento você vai ficar decepcionado e até mesmo frustado porque alguém em que você "colocou todas as cartas" não agiu como deveria, não tomou a decisão mais correta, se demitiu sem pensar nas consequências, não te ligou para dar satisfação, não lavou a louça que estava na pia da cozinha, gritou um palavrão porque o tênis estava molhado, e por aí vai, uma infinidade de aborrecimentos que entristecem e colaboram impiedosamente contra o nosso bem estar.

Ok. Concordo que tem algumas coisas que machucam mesmo, mas também é óbvio que você pode se livrar de alguns pesadelos quando aceita que uma pessoa não é tão perfeita como deveria ser. O que destrói não é apostar em alguém, criar expectativa, mas achar que se pode mudar tudo, que se pode mudar o mundo sem sofrer danos colaterais! Precisamos entender que existe um processo em andamento. Assim, há coisas que mudam a curto prazo, coisas que mudam a longo prazo e coisas que nunca vão ser diferente! Alguém pode mudar em diversas áreas e naquela que te irrita, não - Só pra contrariar kkkk!.

Por outro lado tem gente com ideia fixa em transformar, refazer, aprimorar, repete a mesma frase cem vezes e depois reclama de uma dor de cabeça que não passa! Saiba relevar certas coisas, esperar que as mudanças aconteçam e não deixe que uma decepção te impeça de sonhar, de seguir em frente! 

Esta semana li uma frase muito interessante que assumi como meta de vida: "Não se deixe despedaçar para manter os outros inteiros".



Marion Vaz

sábado, 15 de outubro de 2016

O Cântaro nosso de cada dia

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O contexto social em que Jesus aparece na vida de uma mulher era este: Judeus e samaritanos não se comunicavam, não se confraternizavam, não usavam os mesmos utensílios para comer ou até mesmo para beber água por causa da lei da purificação que o povo de Samaria não observava. Mas Jesus rompe as barreiras imposta pela sociedade pedindo um pouco de água para aliviar o calor do dia. A atitude dele a surpreende: Como sendo tu judeu falas comigo que sou mulher samaritana?

Eu fico pensando: Quem em sã consciência negaria água para outra pessoa? Ela, que nunca tinha ouvido falar sobre o Mestre, seus milagres, sua compaixão, não tinha qualquer expectativa de melhorar a convivência entre os dois povos a partir de um diálogo. Mas a cada indagação da mulher uma revelação surgia. E de um completo estranho Jesus passou a ser a fonte da água viva, um profeta e o Messias. A verdadeira adoração a Deus passaria de uma visão local para um padrão universal.

Mas queremos nos deter a vida diária da samaritana. Ela que já estava no sexto relacionamento, não era bem vista pela sociedade e provavelmente, era só mais uma das muitas que viviam na cidade. As idas e vindas ao poço era um trabalho cansativo, mas não havia outro lugar no qual pudesse obter aquele líquido tão precioso. O horário também não era um dos melhores, mas o que se podia fazer? Com seu cântaro nas mãos a samaritana caminhava todos os dias para pegar água no poço, levando também nos ombros uma carga pesada, uma ferida aberta, humilhação e vergonha...

Os diversos envolvimentos amorosos devem ter deixado marcas em sua vida e como estava o seu coração diante de Deus com todas aquelas culpas lhe assombrando? Talvez, o trajeto até o poço fosse o único momento de solidão e reflexão que apreciasse. Quem sabe, mesmo sentindo a areia quente sob os pés, olhando as montanhas ao longe, o céu tão azul, a samaritana pensasse que Deus a amasse apesar das suas imperfeições?

E foi naquele dia que aconteceu algo diferente. Enquanto a mulher caminhava devagar até o poço, vê a figura de um homem sentado numa pedra. Ela não tem a intenção de olhar para ele. E enquanto procura um jeito de tirar a água armazenada, reconhece a roupa, a fisionomia de Jesus como um típico morador da Judeia. A mulher sabe o seu lugar e permanece calada até que não pôde mais ficar indiferente àquele homem que pedia água.

O cântaro nosso de cada dia parece perfeito. Ele é indispensável, é companheiro. Um recipiente para qualquer tipo de “líquido”, em que as nossas emoções se transformem. É nele que guardamos nossas mágoas e ressentimentos. E como ele é pesado! Porque com as idas e vindas à estrada da vida também colecionamos histórias, fantasias, sonhos, tristezas, decepções, desilusões.  O cântaro se transformou naquele vínculo com o passado que por alguma razão, não queremos esquecer.

E não é o que acontece conosco? Estamos tão submersos nos problemas que olhamos para Jesus, reconhecemos o seu poder, mas ficamos perplexos por ele está ali, pronto para nos abençoar. E nos silenciamos. Mesmo sabendo que Ele é fiel e justo. E assim ocultamos nossas dores, nossas indagações, por medo, insegurança, desconforto. Ou às vezes, porque é mais cômodo continuar a tirar água do poço como estamos acostumados, do que se aventurar em buscar água em uma Fonte.

Porque nem sempre é fácil reconhecer que erramos e que negligenciamos algo importante ou que estamos sofrendo a consequência de nossos próprios atos. É sempre mais fácil colocar a culpa em alguém do que aceitar que precisamos mudar de atitude.

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Mas a fonte também estava ali bem diante da mulher samaritana. Ela podia sentir o calor do sol, mas também um refrigério na alma. Talvez a mulher estivesse abraçada ao cântaro, seu único amigo até aquele momento.

E Jesus questiona a mulher, confronta e restabelece limites. Ele amplia a visão espiritual da samaritana. A conversa continua até que de repente, a mulher sai correndo em direção à cidade. Jesus olha para o chão e lá está o tal cântaro, abandonado, como se não tivesse mais nenhum valor.

Marion Vaz